Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim. Carlos Drummond de Andrade, Corpo
19/12/2010
Fotos na estante.
Sem mais nem menos
Sem remédio, sem desculpa
Em horas tortas
Horas tímidas, ocultas
Pelas esquinas
De olhares indiscretos
O nosso amor
Amor claro de objeto
Desenhei miragens tolas
Nas margens do seu deserto
E uma verdade impossível
Só pra ter você por perto
Sem dor ou crise
Amor simples e direto
Entre os pássaros de couro descansando nas estantes
Pelas costas amarelas dessas fotos insinceras
Descrevi lindas mentiras tão terríveis quanto belas
Desenhei miragens tolas
Nas margens do seu deserto
E uma verdade impossível
Só pra ter você por perto
Desenhei miragens tolas
Nas margens do seu deserto
E uma verdade impossível
Só pra ter você por perto
Desenhei miragens tolas
Nas margens do seu deserto
E uma verdade impossível
Só pra ter você por perto
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